Portugal, meados do século XX. O Estado Novo governa com mão de ferro: propaganda, censura, tortura, medo. Numa linguagem ao mesmo tempo poética e cortante, Miguel Araújo Oliveira apresenta uma peça d
Portugal, meados do século XX. O Estado Novo governa com mão de ferro: propaganda, censura, tortura, medo. Numa linguagem ao mesmo tempo poética e cortante, Miguel Araújo Oliveira apresenta uma peça de teatro sobre pessoas à sombra do poder: vítimas, coniventes, resistentes. «Um texto poderoso e perturbador que expõe a brutalidade da ditadura e dá voz aos silenciados, retratando a coragem trágica de jovens dissidentes que ousam exigir liberdade em plena arbitrariedade do poder.» Susana de AbreuDepois, voltam a entrar na minha cela. Encostam-me uma pistola à têmpora. Armam o gatilho. Brincam comigo. Riem-se. Fingem. Depois, de repente, disparam. Eu dou um sobressalto. Encolho-me. Desesperado. Fecho os olhos, repentinamente. Tremo por todo o corpo. De medo. Voltam a rir-se. «Tiveste sorte», troçam e riem-se com escárnio. «Desta vez não havia bala na câmara.»